Aparecida Ramos -  Prosa e Verso

Apenas palavras que a alma e o coração não calam.

Textos


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O PRETO NO BRANCO
(PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI)
 


Amigos e amigas, vivemos mais um momento relevante de expressão/exercício da Cidadania, a qual se manifesta ou deveria se manifestar "livremente" (e que isso fosse regra) na história política desse País... Ninguém merece votar sob pressão nem por quaisquer interesses que não sejam o Coletivo.

O período da "Campanha Eleitoral" não deixa de ser um momento extremamente importante ( por mais que alguém discorde), pois, sendo o Brasil uma Democracia, temos o privilégio de escolher a "dedo" (para os que são conscientes e tem liberdade) os nossos representantes. Entretanto, nem sempre acertamos nas escolhas que fazemos.

Os candidatos possuem e dominam várias "armas" que tem (a propósito) forte poder de persuasão. E uma dessas, talvez a mais poderosa sejam os "discursos", principalmente por serem meticulosamente articulados, bem "pensados", a maioria, enfeitados, maquiados, prontos para "fazer" a cabeça do eleitor... É fato inegável que há nesse País uma grande massa de eleitores com baixa escolaridade. Para esses, analisar o que está diante, do lado ou por trás das entrelinhas, do palavreado de um discurso ou panfleto bem elaborado, é praticamente impossível.

"Naturalmente", todos se apresentam como "bonzinhos", competentes, comprometidos e dispostos a trabalhar pela população. Ao passarem as eleições e empossados os eleitos, aquilo que parecia "verdadeiro" (promessas) acaba virando fumaça, cai no esquecimento dos eleitores.

É comum assistirmos grandes torcidas acompanhando/participando dos eventos políticos, mas o mais triste é saber que isso não ocorre com a mesma intensidade e participação quando se trata de cobrar postura, compromissos de campanha em prol da população ou da comunidade.

É lamentável saber como muitos eleitores possuem memória curta e são totalmente descomprometidos diante das escolhas que fazem. Para esses o que vale é a "oferta" do momento, é o interesse pessoal, não importando se isso é insignificante, quando comparado à grandeza do ato de votar e ser bem representado.

Por outro lado, sabemos da rejeição da classe política em geral. E ninguém mais que os próprios "envolvidos" (políticos) contribuíram para esse descrédito. Só há corruptores porque há corruptos e vice versa.

É triste vermos que somente quatro anos depois "eles" voltam a torcer pelos novos ou velhos candidatos. O pior é que o "ciclo" acaba ganhando aparência de circo onde o "palhaço" ocupa o lugar da platéia e vira, para muitos, um círculo vicioso.

Como "simples" militante tenho visitado e conversado com muitas famílias/pessoas. Muitas vezes estou "lá" mais para ouvir... Para saber/conhecer a opinião das pessoas, é necessário estar disponível e ter paciência de sentar, olhar nos olhos e ouvi-las. Muitas tem toda razão naquilo que sabiamente pontuam ou fazem questão de reclamar.

Minha contribuição gratuita, que não faço para agradar a "A" nem a B, (embora levo sugestões de candidatos que podem ser escolhidos) ocorre no sentido da valorização, da importância da participação nesse momento do qual não devemos abrir mão nem tão pouco se deixar enganar. Votar em branco ou anular o voto, significa excluir-se de um processo democrático importante, do qual, ainda existe milhares/milhões de pessoas no mundo que dariam tudo para exercê-lo, porém ainda não conquistaram esse direito.

Precisamos votar conscientemente e cobrar nossos direitos dentro daquilo que cabe aos eleitos. Não se deixar manipular nem iludir-se quando, alguns do que estão à frente do poder ou estiveram, vem lembrar serviços prestados como se fossem doações ou favores.

Voto é "coisa" tão íntima, pessoal, individual, que nem o companheiro ou companheira poderia nem deveria interferir. É direito sagrado do cidadão, por isso, mesmo sugerindo ou indicando alguém, deixo a mensagem de que somente a eles cabe a decisão final e que não devem deixar que terceiros interfiram em sua liberdade de escolha. Os políticos deveriam respeitar essa prerrogativa constitucional, concedida aos cidadãos brasileiros.

Voto é arma que não mata fisicamente, mas destrói, arrasa e tira do caminho àqueles políticos incompetentes, irresponsáveis, mentirosos e corruptos, quando (raramente/infelizmente) conseguimos derrotá-los. E assim deveria ser com todos que não fazem jus ao papel relevante para o qual se apresentaram.
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ísis Dumont


(INDIFERENÇA)
Publicação no FACE do poeta e amigo querido Fernando A. Freire

(...)
PRIMEIRO LEVARAM OS JUDEUS,
MAS NÃO FALEI,
POR NÃO SER JUDEU.
DEPOIS PERSEGUIRAM OS COMUNISTAS.
NADA DISSE, ENTÃO, POR NÃO SER COMUNISTA.
EM SEGUIDA, CASTIGARAM OS SINDICALISTAS.
DECIDI NÃO FALAR, PORQUE NÃO TOLERO SINDICALISTAS.
MAIS TARDE FOI A VEZ DOS CATÓLICOS.
TAMBÉM ME CALEI, POIS QUE SOU PROTESTANTE.
AÍ, NUM DIA, VIERAM BUSCAR-ME,
MAS,
A ESSA ALTURA,
JÁ NÃO RESTAVA NENHUMA VOZ
QUE EM DEFESA DE MIM
SE FIZESSE OUVIR.
(adaptado por Martin Niemoller)
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EU, INDIFERENTE
Para o tão pouco que fiz pela humanidade:
bastava eu ter sido do tamanho e valor
de uma moeda
com um centímetro de raio;
bastava eu ter sido um brinco torto,
num porta-joias empoeirado,
guardado, recusado;
bastava ter tido o tamanho e a eficiência
de um comprimido vencido,
num frasco,
escondido.
Bastava nem ter nascido.
********************

(Fernando A Freire)
Ísis Dumont e Fernando A. Freire
Enviado por Ísis Dumont em 27/09/2014
Alterado em 02/10/2014
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