Ísis Dumont -  Prosa e Verso

Apenas palavras que a alma e o coração não calam.

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É COMPLEXO SER (SER) HUMANO

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O ser humano é o mais complicado que existe perante os demais seres. Somos esse ser que parece gostar de complicar, embolar, emaranhar-se. Impossível é se entender a mente de gente que vive insatisfeita com tudo e com todos. Gente que nos faz pensar que não suporta a gente, quando, na verdade ela ou ele não suporta é a si mesmo... Pessoas pessimistas, revoltadas sem ao menos saber com "que". Gente que tudo acha difícil, que não valoriza o que tem, e quando não tem se desespera para conseguir. Para essas, "ter" não tem muito valor em si, mas vale poder conseguir. 
Conviver com determinadas pessoas é muito mais difícil do que com outras. É como “pisar em ovos” ou lidar com um cristal... Gente que, por qualquer motivo, inclusive sem razão aparente, já se transforma, muda completamente, nos deixando boquiabertos, intrigados, algumas vezes. É necessário até ser expertise para sobreviver (ou tentar conviver) com pessoas assim ou seja, é preciso muito "jogo de cintura" rs, é necessário ser bem diferente delas, ser tolerante, compreensivo bastante para suportá-las.


Nessas complexidades do ser, coexistem ou coabitam circunstâncias e condições diversas, as quais envolvem os modos de pensar, agir, ser e sentir de cada um de nós.


A vida é complexa ou somos nós que a complexificamos? De onde vem essa capacidade de tornar complexo o que é simples? Por que alguns transformam pequenos problemas em montanhas intransponíveis, de tal modo que uma dor de cabeça é logo percebida como um câncer incurável, a demora do filho significa que ele foi seqüestrado, e uma crise qualquer seja percebida como o sinal dos tempos? De tanto complicar o que é simples criamos monstros devoradores, verdadeiros Frankensteins, e passamos o resto da vida fugindo deles. É a velha história da criatura versus criador.

Por que complicamos o que é simples? Será porque confundimos equivocadamente o que é simples com o que é banal? Mas simplicidade não tem nada a ver com banalidade. Simplicidade tem a ver com singeleza, leveza, beleza, natural. Já o mesmo não podemos dizer em relação ao que é sofisticado. O que é sofisticado hoje pode ser banal amanhã. Por exemplo, o pesado ferro de passar roupa aquecido com carvão já foi ultramoderno, mas hoje só serve como peça de museu. Qual a dona de casa que trocaria o leve ferro elétrico de hoje pelo pesado ferro de carvão de ontem? A tecnologia muda e valoriza a vida, mas ela nunca substituirá a simplicidade da vida.


Cada pessoa guarda em si várias condições e relações que lhe permite ou lhe faz ser como é. É impossível se imaginar e compreender uma pessoa apenas de uma forma. Existe sim múltiplas possibilidades que podem ser interpretadas através de aspectos diversos.

Não somos “produto” apenas de nossa estrutura biológica, nem tão pouco de nossas relações e interações sociais, mas somos fruto também de nossa relação dialética e subjetiva com o mundo.

Enquanto seres humanos somos seres naturais, pois nascemos com uma específica disposição biológica, somos também seres culturais, pois chegamos ao mundo num certo lugar e num período histórico, com valores e costumes que influenciam nossos modos de ser. Além disso, também desenvolvemos experiências subjetivas com nós mesmos, por meio das relações que estabelecemos com o mundo, com as pessoas e as coisas.


Enquanto seres naturais, cada pessoa nasce com algumas disposições e indisposições. Apesar das semelhanças, nossa condição natural não é igual a de outras pessoas, alguns são mais altos e outros mais baixos, alguns tem facilidade em fazer atividades físicas e outros se desempenham melhor em atividades que exigem concentração.

Enquanto seres culturais, nos diferenciamos de acordo com a cultura no qual estamos inseridos, dos hábitos do local e do período histórico em que experimentamos nossa vida. Adquirimos valores tomando algumas coisas como corretas e outras como inadequadas, o que nos diferencia de outras pessoas, pois existem diferentes modos culturais.

Além dessas condições, também experimentamos subjetivamente o modo como nos relacionamos com nossas condições naturais, com a cultura na qual estamos inseridos e com nós mesmos, com nossos desejos e sentimentos mais íntimos, desenvolvendo nossos próprios valores e visão de mundo.

 
Desenvolvemos uma história de vida que é única, não há como outra pessoa ter uma história como a nossa. Por mais duas pessoas atravessem por circunstâncias parecidas, o modo como cada uma sente, experimenta e reage é diferente, envolve suas condições biológicas, suas aprendizagens culturais e suas experiências subjetivas.
 

Percebendo todas essas condições que envolvem o ser humano, fica claro que qualquer tentativa de entender um sentimento ou uma ação humano por apenas uma maneira ou um padrão que igual para todos, acabaria por deixar de lado tantas outras questões que envolvem o ser em questão.

O ser humano tem evoluído desde o início dos tempos, essa evolução é contínua e expansiva. Não só cresceram em relação a sociedade, mas também como indivíduos, exaltando suas singularidades. Apesar de tão evoluídos, ainda não é possível conhecer inteiramente a mente do ser humano, pois ele é triádico. É sociedade, indivíduo e espécie em um só pacote. Isso se dá devido à complexidade da mente humana. O ser humano não é só biologia, mas também é cultura, é a seriedade e a loucura ao mesmo tempo. O homem é instável, objetivo, intenso, calculista e extático. Apesar de toda confusão encontrada na mente humana, é encontrada também a razão.
Essa racionalidade identificou a necessidade da criação de normas, ordens, leis, regras sociais, papéis sociais a serem seguidos e assim foi surgindo essa sociedade contemporânea já conhecida. O ser humano, como antes mencionado, é a contradição. Imagine um quartel militar, um soldado é treinado para obedecer a ordens a todo custo, não questionar nunca, apenas fazer o que é mandado. No entanto, esse soldado que apenas cumpre ordens, caso seja sequestrado, é facilmente corrompido com uma lavagem cerebral. A solução mais fácil para isso seria ensina-los a questionar, a lutar para entender, ampliar suas mentes para chegar a resistência. Mas isso seria pôr um fim a cega obediência, ou seja, a dominação acaba sendo mais valorizada. Do outro lado, quero que imagine um professor tentando ensinar aos alunos a questionarem, ampliarem suas mentes, formarem opiniões fortes e concretas. Percebe que o ser humano vai aos dois extremos? Não há como cataloga-lo, pois, embora seja sociedade e espécie, também é o indivíduo e cada um tem sua singularidade, sua percepção da vida é diferente e a mente influência nas ações de cada um.

Algo que não mudou, apesar de todo crescimento, foi a luta pelo poder. Podemos ver isso em todos os lugares, isso está dentro de cada indivíduo, mesmo que seja uma porção menor para uns e maior para outros. O ser humano já precisou caçar e disputar sua alimentação com outros animais. Ele precisou se defender de tudo e lutar por sua sobrevivência. Ainda é possível ver uma semelhança com os dias atuais. A luta pelo poder era necessária, vital. Hoje isso não mudou, o ser humano ainda tem essa sede pelo poder. Uma religião precisa ser mais grandiosa que outra, uma sexualidade precisa prevalecer em relação a outra… É notável isso nas escolas, na família, na maioria das relações sociais há luta pelo poder.
Numa família tradicional, se espera que o máximo poder seja do homem, se espera que ele seja o “chefe da família” e tenha a última palavra. Em uma briga quem tem a penúltima palavra se torna automaticamente fraco e quem tem a última palavra é forte. Na escola, a relação aluno-professor se perpetuou por muito tempo pela autoridade do professor. Não existia uma relação, na verdade, ainda é possível encontrar educadores com essa visão de que se dobrar a uma sugestão o torna fraco. Alguns ainda acham que necessitam se manterem inflexíveis para terem respeito e autoridade, não só no ambiente escolar, mas também familiar e na relação chefe e subordinado. Essa disputa pelo poder, na maioria das vezes, é inconsciente e negativa.


O ser humano é complexo, mas tem suas semelhanças, como a sede de poder, o instinto pela sobrevivência e a necessidade de socialização. É preciso aceitar que essa “bipolaridade” estará sempre presente e é preciso abraça-la para tentar entende-la.
Um ser humano não precisa ser melhor que o outro, ele só precisa entender que ele é semelhante do outro, ser empático, compreensivo. Compartilhar suas dores, medos, sabedoria, alegrias, conhecimento é que fará com que o crescimento continue a ser positivo. O ser humano evoluiu em muitos aspectos, mas essa cega disputa é retrógrada e causa violência, desigualdade e desumanidade.
Fontes de pesquisas:

http://www.ex-isto.site/2017/07/ser-humano-complexo.html
http://reflexosdevida.blogspot.com

https://medium.com/o-plural/a-complexidade-do-ser-humano-e-sua-luta-interior-9eb4dab466f

 



 
Aparecida Ramos(Ísis Dumont)
Enviado por Aparecida Ramos(Ísis Dumont) em 11/10/2018
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