Ísis Dumont -  Prosa e Verso

Apenas palavras que a alma e o coração não calam.

Textos


Resultado de imagem para desespero
O destempero de Catarina

 

Aquela não era a primeira vez que eu ia organizar a área de serviço e ficava ouvindo a voz de Catarina. Lembrei que eu já fui meio parecida com ela. Sim, é verdade! Um pouco "meio" exagerada, viu? Eu só não sabia (porque nunca me disseram)era que, mesmo não sendo Lua, aquilo era uma fase apenas. Hoje eu penso: e se esse "destempero" não tivesse  passado? Credo em cruz, Ave Maria! Nossa Senhora me guarde!
Era a manhã de 23 de Junho(último). Nossos preparativos para a tradicional Festa Junina estavam sendo concluídos, inclusive as comidas típicas: pamonha, canjica, milho cosido, bolo de milho, bolo pé-de-moleque etc. Tudo poderia acontecer naquele dia, menos cair chuva, nem  sequer neblina, foi o que ouvi da boca, tantas vezes desbocada, de Catarina, a qual, no dia anterior me contou "milagrosamente" sob sussurros que sairia às escondidas para a balada com o namorado logo após o término do Festival de Quadrilhas, pela madrugada. Soube que seus pais iam acompanhá-la até o Centro de Eventos. É perigoso voltar para casa tarde da noite. Há sempre um risco aqui ou acolá e, como dizia minha santa vozinha(de saudosa memória): "Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém."
Embora eu saiba que Catarina não liga, segundo a própria, para essas bobagens: "Bom mesmo é curtir a vida enquanto a morte não chega." Esse é o jeitinho típico dessa menina travessa lidar com a vida que ela pensa que já conhece muito.
Então, por volta das 09:00h, eu, já terminando minha tarefa de organizar umas baguncinhas produzidas durante a semana, de repente quase desmaei mediante os gritos estridentes de Catarina. Dessa vez era algo que fugia dos padrões da normalidade. Seu choro misturado aos urros eram  não somente comoventes, mas ensurdecedores.  Com dificuldades para entender algumas palavras ditas sob forte emoção, eu entendi que o jovem namorado de Catarina havia sofrido um acidente de moto e se encontrava em estado gravíssimo aguardando uma cirurgia. Seus pais muito preocupados com seu estado faziam o possível e o impossível para acalmá-la um pouco, mas seus brados ficavam cada vez mais insurpotáveis. A vizinhança inteira se reuniu em frente à residência, e uma viatura da PM estacionou no local para se inteirar do que estava acontecendo. 
O pior dessa história é que já se passaram 6 dias e os brados de Catarina continuam impregnados em meus ouvidos!
Aff!!! Que chato!!!
Ah... Mas quase tudo nesta vida tem uma razão de ser:
Catarina a gata da vizinha é o animal mais "humano" que já  conheci.

 
Aparecida Ramos(Ísis Dumont)
Enviado por Aparecida Ramos(Ísis Dumont) em 26/06/2018
Alterado em 27/06/2018
Copyright © 2018. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras