Ísis Dumont -  Prosa e Verso

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A PSICOPEDAGOGIA, E O PSICOPEDAGOGO NO ESPAÇO ESCOLAR
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Para jorge Visca:
A psicopedagogia nasceu como uma ocupação empírica pela necessidade de atender as crianças com dificuldades na aprendizagem, cujas causas eram estudadas pela medicina e psicologia. Com o decorrer do tempo, o que inicialmente foi uma ação subsidiária destas disciplinas, perfilou-se como um conhecimento independente e complementar, possuidor de um objeto de estudo (o processo de aprendizagem) e de recursos diagnósticos, corretores e preventivos próprios.
 

 

 
A Psicopedagogia é a área do conhecimento que investiga as dificuldades e/ou os distúrbios de aprendizagem, surgidos principalmente na idade escolar, embora, é notório que as dificuldades, distúrbios ou patologias podem aparecer em qualquer momento da vida e, portanto, a Psicopedagogia não faz distinção de idade ou sexo para o atendimento.

O
papel do psicopedagogo é investigar as causas do problema através da escuta; é observar, dialogar, avaliar, fazer a hipótese diagnóstica (se for o caso) e estabelecer um plano de intervenção. No entanto, sua atuação vai mais além. A Psicopedagogia não atua apenas onde já existe o problema, a dificuldade, de forma "remediativa", mas principalmente de forma preventiva tentando evitar que as dificuldades criem raízes e se "perpetuem".


É fundamental saber distinguir ou diferenciar o que é “dificuldade de aprendizagem e o que é transtorno de aprendizagem.”
Realizando uma investigação mais aprofundada sobre a origem e as características das dificuldades dos alunos que não conseguem aprender, pode se identificar dois grandes “protótipos”:  As dificuldades de aprendizagem e os transtornos de aprendizagem.  O primeiro protótipo caracteriza as “dificuldades de aprendizagem” que resultam da influência ou interferência de condições e/ou eventos transitórios na vida do aprendente, que interferem de forma negativa no ato de aprender. Pode ser mudança de escola ou a permanência durante alguns anos na mesma escola; mudança de professor, nascimento de um irmão, ausência (física) de um dos genitores ou separação dos mesmos; perda de um familiar, uso ilimitado das tecnologias tais como: celular, tablete ou notebook; indisciplina (em casa); falta de sono; problemas de saúde, excesso de mimos dos pais ou avós, etc.
O segundo protótipo se caracteriza pelo caráter persistente e inato das dificuldades de aprender.  São dificuldades que sempre estiveram presentes no cotidiano escolar do aluno; ou seja, se formos verificar o histórico daquele educando, veremos que ele sempre teve defasagens significativas na aprendizagem em uma ou em mais áreas do conhecimento, sem demonstrar uma causa específica, como uma deficiência intelectual ou sensorial. Esse segundo padrão configura os transtornos de aprendizagem. Em sua grande maioria os transtornos de aprendizagem só são identificados quando a criança ingressa na escola, porém o olhar atento da família e/ou dos responsáveis e dos professores, inclusive desde o ensino infantil, podem auxiliar na identificação precoce e na “cura” e/ou prevenção de casos mais graves.

Para se ter uma noção, estima-se que o número de alunos infantis que apresentem distúrbios de aprendizagem passe dos 40%. O caso, então, requer muita atenção de pais, responsáveis e profissionais que lidam com a criança. A melhor maneira de oferecer a ela um tratamento eficaz e que melhore consideravelmente a situação do aluno é através da informação. Veja, portanto, uma descrição dos principais distúrbios de aprendizagem:

Dislexia?
A dislexia é um distúrbio de aprendizagem de
leitura e escrita. Segundo o DSM-V, a dislexia é um transtorno específico de linguagem. Sendo assim, é imprescindível a avaliação de uma fonoaudióloga dentro do processo de tratamento da dislexia, além de outros especialistas que visam um trabalho que valorize o desenvolvimento de outras práticas
.

Discalculia-
A discalculia é quando a criança tem dificuldade de aprender tudo que esteja direta ou indiretamente ligado à questões que envolvem números, como probleminhas, aplicações e conceitos matemáticos.

Disgrafia-
A disgrafia ocorre quando o aluno apresenta dificuldade na elaboração da linguagem escrita. A criança pode encontrar dificuldades para desenvolver suas habilidades na área mencionada e que, em muitos casos, pode vir acompanhada de uma dislexia.

Hiperatividade-
Muito falada na sociedade e, na mesma intensidade, levada a equívocos por parte do senso comum, a hiperatividade é marcada pela falta de atenção. A criança hiperativa não consegue prender a atenção em tudo e também quer realizar várias tarefas ao mesmo tempo. O hiperativo é muito agitado e não consegue ficar parado.

Déficit de atenção
Esse déficit é caracterizado pela falta de atenção, mas não é algo voluntário. Lembre-se que isso também é um distúrbio de aprendizagem. Nesse caso, a criança não consegue fixar sua atenção ao que está sendo ensinado.


Tratamentos
Para todos esses casos há tratamentos adequados que têm por objetivo desenvolver a habilidade de aprendizagem da criança e minimizar de forma considerável o distúrbio que a impossibilita, momentaneamente, de ter uma fruição de conteúdos de forma eficiente.
É importante lembrar que o acompanhamento só deve ser feito com profissionais capacitados para lidar com o caso.
Vale reiterar que o
distúrbio de aprendizagem deve ser acompanhado também pelos pais, em reuniões escolares. Converse com os professores para saber do rendimento da criança.
É normal que qualquer aluno tire uma nota baixa, mas a continuidade dessa situação pode mostrar algo que precisa ser analisado de forma mais minuciosa, como o distúrbio de aprendizagem. Somente um especialista pode fornecer o diagnóstico.
Lembre-se: tratamento é sempre a melhor saída para o desenvolvimento de seu filho!


Dessa forma, acredita-se que o trabalho da Psicopedagogia, quando encontra consonância e parcerias na escola, pode promover efeitos muito positivos para a minimização das dificuldades que emergem no contexto escolar, apesar de representar um constante desafio, pois requer o envolvimento de toda a equipe, e um desejo permanente de mudanças, para que as transformações, de fato, ocorram.

"Os primeiros Centros Psicopedagógicos foram fundados na Europa, em 1946, por J Boutonier e George Mauco, com direção médica e pedagógica. Estes Centros uniam conhecimentos da área de Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, onde tentavam readaptar crianças com comportamentos socialmente inadequados na escola ou no lar e atender crianças com dificuldades de aprendizagem apesar de serem inteligentes (MERY apud BOSSA, 2000, p. 39).


O Psicopedagogo pode ser "clínico" ou "institucional".
Diferenças entre psicopedagogo clínico e institucional:

O psicopedagogo clínico atende em consultórios e trabalha com cada paciente individualmente. Sua função é investigar as causas e buscar soluções para os problemas de aprendizagem em crianças, adolescentes ou adultos. Nesse sentido, o profissional contribui para manter o estado psicológico saudável do paciente, permitindo-o construir saberes e transformar informações em conhecimento adquirido.
Além de tratamentos, busca desenvolver ações para gerar mudanças comportamentais no paciente e, assim, corrigir e facilitar as dificuldades de assimilação de conteúdos. Muitas vezes, o psicopedagogo clínico atua em conjunto com outros profissionais, como psicólogo, (neuro) psiquiatra ou fonoaudiólogo, por exemplo.
O psicopedagogo institucional, por sua vez, trabalha com um grupo de pessoas, seja em instituições de ensino, empresas ou hospitais. Dependendo do local de trabalho, sua função é avaliar o comportamento de alunos, pacientes ou funcionários, identificar os fatores que interferem na aprendizagem ou desempenho dessas pessoas e oferecer soluções para a melhora nesse campo.
Nas escolas, esse profissional analisa os mais diversos aspectos da instituição de ensino, prestando, por exemplo, orientação ao quadro docente, auxiliando no planejamento de aulas e desenvolvendo projetos escolares. Nas empresas, ele, geralmente, trabalha no RH, facilitando a compreensão de informações, melhorando o relacionamento entre funcionários e gestores bem como a performance dos colaboradores. É a esse objetivo que se propõe a Psicopedagogia institucional. Atuando nas escolas, o psicopedagogo trabalha com a dinâmica da instituição e com a formação de professores, orientando e auxiliando na organização das atividades e, consequentemente, no processo de aprendizagem dos alunos.
A Psicopedagogia, sendo uma junção entre a Pedagogia e a Psicologia, essas duas áreas não são o suficientes para que se entenda o processo de aprendizagem e suas variáveis. Assim, recorre-se a outras áreas como a Sociologia, a Filosofia, a Psicanálise, a Neurológica e a Linguística, que contribuem para um diagnóstico mais preciso. 
Vale ressaltar que o psicopedagogo não emite diagnóstico, mas trabalha com a escuta, a investigação, análise, avaliação e, posteriormente elabora uma hipótese diagnóstica e faz a intervenção. Daí, se for necessário realiza o encaminhamento do aluno ou da pessoa para outro(s) profissional(is) a exemplo do psicólogo, neurologista, psiquiatra, fonoaudiólogo etc.


De acordo com Nádia Bossa (2000, p. 21):
O termo Psicopegagogia distingue-se em três conotações:
como uma prática, como um campo de investigação do ato de aprender e como um saber científico. Portanto, é importante que se tente entender a Psicopedagogia como uma área que vem, ao longo de sua história, criando um corpo teórico próprio, sistematizando instrumentos capazes de dar conta de suas investigações, não se propondo a especializar um profissional dando a ele parte do que lhe falta.

Finalizando: "Um
 dos principais objetivos do surgimento da Psicopedagogia foi investigar as questões da aprendizagem ou do não - aprender em algumas crianças. Por um longo período atribuía-se exclusivamente à criança a patologia do não - aprender. Foi na Europa, no século XIX, que médicos, pedagogos e psiquiatras levantaram questões sobre o não - aprender, entre eles: Maria Montessori, Decroly e Janine.(GASPARIAN,1997,p.15)".

 “O objetivo principal da educação nas escolas deveria ser a formação de homens e mulheres que são capazes de fazer coisas novas, e não simplesmente de repetir o que outras gerações fizeram; homens e mulheres que são criativos, inventivos e descobridores, que podem ser críticos, verificar, e não aceitar, tudo que lhes é oferecido”.
Jean Piaget


P.S.: Parte desse Artigo foi retirada de meu TCC, concluído recentemente no término da Pós-Graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional.
Fontes de pesquisa:

ttps://www.eadlaureate.com.br/ondefor/psicopedagogia-o-que-e-e-onde-trabalhar

https://neurosaber.com.br/principais-disturbios-de-aprendizagem/
https://monografias.brasilescola.uol.com.br/pedagogia/o-papel-psicopedagogo-educacional.htm
 
 
Aparecida Ramos(Ísis Dumont)
Enviado por Aparecida Ramos(Ísis Dumont) em 03/06/2018
Alterado em 07/06/2018
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