Aparecida Ramos -  Prosa e Verso
Apenas palavras que a alma e o coração não calam.
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A Escritora


                   
Por: Miguel Carqueija
 
Eu sou uma escritorazinha,
vivo na digitação;
e como diz a maninha,
escrevo com o coração.
 
Eu gosto de ser contista
criando enredo atraente;
sou poeta e novelista,
quero que leia e comente.
 
Cuido da casa, trabalho,
e ainda posso criar;
maninha, quebra esse galho,
vai na vendinha comprar;
 
que eu tenho biografia
no momento em criação;
e ao voltar ela trazia
um sorvete de limão.
 
— Para um pouco de escrever!
diz a maninha, zelosa;
— Você precisa comer,
deixa de ser tão teimosa.
 
Mas escritora é assim,
a gente esquece da vida;
é um trabalho sem fim
como varrer a avenida.
 
Trabalho muito contente,
apesar dos meus percalços;
trago o que me vem à mente,
escrevo com os pés descalços.
 
Mas só trago o que é bom,
a minha escrita é sadia;
sempre coloco algum som
de bonita melodia:
 
bem relaxadinha eu fico
e o texto se desenvolve;
chegando afinal ao pico
quando a trama se resolve.
Traço poema de amor
que até faz você chorar;
mas também falo da dor,
da saudade que ficar.
 
Na verdade eu escrevo
porque amo os meus leitores;
e é por isso que eu me atrevo
a transmitir meus valores.
 
Que haja Deus nos meus escritos
é algo que eu faço empenho;
e assim desde os manuscritos
é um capricho que eu tenho.
 
Comigo é tudo no “inha”
que eu sou simples, despojada;
sou uma novelistazinha
que quer ser apreciada.
 
Quando algum livro eu publico
pra mim é dia de festa:
bem alegrezinha eu fico
e até faço uma seresta.
Como é gratificante
ocupar-se em escrever:
passa o tempo num instante
e eu tenho o que oferecer.
 
Maninha me amarrou:
— Mãos para trás, surpresinha!
E eu fui capturadinha.
Meus olhos ela vendou:
por que estou sendo presinha?
E levou-me amarradinha.
 
Não entendi a razão
pra ser sequestradazinha,
tão bem aprisionadinha;
mas desci com precaução
pela escada, amparadinha.
Fiquei emocionadinha!
 
Percebi que era pra sala
que eu seguia escoltadinha,
com capricho vendadinha;
quase que eu perdi a fala,
já de todo intrigadinha!
Por estar prisioneirinha...
 
Quando a venda ela tirou
perdi a respiração:
minhas mãos ela soltou
e aí foi só comoção!
Como bate o coração...

Tanta gente ao meu redor
me beijando e me abraçando;
o que pode haver melhor
que ter amigos me amando?
E a maninha no comando...

Foi assim que o lançamento
antes do dia chegar
já produziu um evento
no aconchego do lar.
E o meu livro eu vou lançar!
 
Noite de felicidade
para esta mulherzinha:
pode crer que é verdade,
me senti uma garotinha!
Fui chamada a Princesinha...



MIGUEL CARQUEIJA



 

 
 
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À Escritora
(Do ilustre e grande poeta/escritor Miguel Carqueija)

 
Sonhava alto, tão alto que, às vezes tinha a sensação de que seus pés estavam levitando.

Sabia que o campo é imenso e o mundo infinito.
Não era acomodada, nem conformada
ou resignada com o mundo à sua volta.
Muitos dos que estavam ali, viviam o momento,
indiferentes aos eventos,
sem melhores ‘passatempo’.

Ela queria mais, bem mais.
De tanto contemplar o horizonte,
descobriu a possibilidade:
por trás de um retalho de nuvem multicor estava uma estrelinha brilhando, piscando como se lhe chamasse a subir com ela.
Não hesitou em aceitar aquela façanha.
   Embora seus passos fossem trêmulos,
não perdeu o fôlego, e à medida que subia... ganhava mais força!
Assim começou sua missão...
Hoje, carrega além de seus sonhos
os sonhos dos outros...

Especializou-se na ‘arte’ de compreender
e amar o próximo, indistintamente.
Vive a alegria e o pranto com emoção verdadeira.
Não omite palavras, nem sentimentos para falar de amor,
nem para falar de realidades.

Incomodam - lhe as dores do mundo.
Jamais seu olhar deixará de ver as injustiças,
nem suas palavras serão omissas
na hora de defender ideias e pessoas.

Possivelmente... há quem não entenda,
nem aceite seu jeito,
mas isso não é relevante.

A missão do poeta/escritor é dádiva sublime,
presente dos céus, das mãos do Criador.
Por isso deve ser levada até o fim dos
tempos vividos!
Porque... escrever é um ato de amor!
É viver não somente o amor ao próximo,
à vida, mas o amor que alimenta a inspiração.

O amor que a vida traz como presente,
de onde, não sabemos, nem como.

(Apenas amo!!)
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Ísis Dumont
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Considerações
(Eliane Auer/Moça Bonita)
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Neste poema –  A Escritora, do autor Miguel Carqueija, aparecem as nuances de um escritor que permeia por expressar a diversidade das funções não obstante com grande poder de criatividade, sendo no auge do cansaço, discorrendo momentos cotidianos através da literatura ou em meio a sofrimentos e entre lágrimas , destacando todo o lirismo da poesia. Emoções que se afloram em cada conto ou enredo de novela.A cada elogio cresce o desejo incontido de escrever, impulsionando para novos projetos. E com um olhar humanista, explorando a sensibilidade feminina através do ponto de vista poético. Composto por quinze quadras, três sextetos e quatro quintetos, o poema destaca-se pelo parelelismo reforçando a semântica da obra. Tem uma riqueza poética nas definições da personagem principal da obra, valorizando os adjetivos em cada estrofe, enveredado em tempo e espaço , atribuídos no contexto temático e implícitos na obra. “Foi assim que o lançamento Antes mesmo de chegar...” “Noite de felicidade para esta mulherzinha...” Poema com estética bastante contemporânea que delineia com capricho toda a obra.

Eliane Auer (Moça Bonita)
                              Moça Bonita
                              Eliane Auer


 
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PORQUE ESCREVER...
(Crônica de Leti Ribeiro)

Encontro liberdade na escrita, o papel não dita regras, não impõe limites, minh'alma deixa de ser cativa e sinto-me nas nuvens escrevendo. Neste caminho que escolhi tenho aprendido a cada dia sentir, expressar e dissertar...

Falar sempre da vida em poesia... Experiências vividas, outras assistidas. Procuro traduzir ao leitor em forma de contos, artigos, romantismo, ficção, dramaturgia, verdade ou invenção, não importa a forma, o que mais gosto é escrever! Viajar neste outro universo... Fazer o leitor sentir a mesma emoção que tenho publicando minhas composições.

Muitas vezes a inspiração vem de uma experiência que ouvi, sinto-me emocionada e penso, isso poderá ajudar alguém, irei colocar no papel para o leitor entender o que sinto sobre tal tema.

Procuro em meus escritos falar de alguém que declarou sofrer, amor... Que sentiu medo, que precisou de cuidado, suplicou atenção e assim fico desejosa de ajudar outro a se encontrar e surpreendo quando consigo retratar no papel aquela verdade dentro da minha digital, libertando a emoção e não deixando as correntes do medo e da indiferença prender-me.

Porque sei que alguns não têm a inspiração como gostariam para falar de seus sentimentos, mas gostam de ler e sentir... É isso que importa; aquele sentimento descrito por mim será parte de uma lembrança para alguém que leu um texto meu ou dedicou para um querido por identificar-se com a emoção exposta.

Entrego-me à escrita, transpondo o que sinto ao leitor como uma pessoa que oferta um lindo presente que escolheu cuidadosamente e dedicou com afeto e afeição ao ser amado, faço-o como quem oferece um espelho de sentimentos no papel.

E a resposta vem ao receber comentários postados em minha escrivaninha falando que o texto que escrevi despertou e encantou de alguma forma. Isso é muito bom! Sentir o carinho e reconhecimento emociona-me como ouvir uma canção harmoniosa.

É fundamental para cada escritor ouvir a voz do coração, fechando os olhos para a realidade e sentir liberdade para expressar-se. Apenas transcrever para o papel. Como foi cantado pelo Rei “Roberto Carlos” - Se chorei ou sorri, o importante é que emoções eu vivi...

Acredito que o maior desafio para a boa escrita é evoluir dia a dia. A evolução é possível somente quando nos dispusermos ao aprendizado, mantendo a mente aberta como um paraquedas, para adequar às formas: gramatical, literária, política, religiosa e cultural. Isso não tem como fugir, é um fato; vivemos em um mundo globalizado, para quem escreve é um mal necessário, porque o leitor procura evolução e apreendizado a cada dia.

Muitas vezes, somos ponto de partida de ideias levadas para um indivíduo, que antes não as tinha... E outras vezes, ponto final às interrogações inquietantes que estavam dentro do peito para alguns de forma alta e gritante... É importante procurarmos em cada texto deixar um pedacinho de nós para quem ler. Porque é gratificante ouvir do outro que se identifica com nossos textos.

Embora, procuro não perder minha identidade literária e ser autêntica em meus escritos, tendo muitos deles autobiográficos, sou uma pessoa que se deixa levar pela emoção, vivendo um dia de cada vez... E tem dias com sol, outros dias de chuva, dias nublados, outros com calor ou frio. É assim que me sinto ao escrever, é minha forma de expressão, ajudando-me libertar e ajudando alguém a se encontrar....

De dentro do meu ser:
Leti Ribeiro

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Leti Ribeiro



Agradecimentos
(Isis Dumont)


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Nossa, Miguel, como sinto-me honrada, feliz, agradecida e agraciada por está incluída em mais este seu trabalho, junto às amigas poetisas, apesar do atraso desta postagem.
Você com esse talento imensurável continua fazendo tanto bem aos seus leitores através de suas inúmeras e belas publicações e de trabalhos (em parcerias) a exemplo deste!
Te admiro muito e sou sua fã sempre!
Minha gratidão pelo convite, pelo carinho e por nossa amizade!
Gratidão às poetisas queridas, que aceitaram enriquecer ainda mais, com suas criações e conhecimentos, este espaço Recantista!
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Ísis Dumont, Miguel Carqueija, Eliane Auer e Leti Ribeiro
Enviado por Ísis Dumont em 10/06/2017
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