Aparecida Ramos -  Prosa e Verso

Apenas palavras que a alma e o coração não calam.

Textos

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Angústia Quase de Morte


Enfermo, moribundo (de uns tempos para cá), agoniza num leito de dor "entre a vida e a morte", como habitualmente dizem perante determinadas situações. Sonhos não concretizados, ideais não alcançados, expectativas infrutíferas trouxeram-lhe decepções diversas. O tempo passou e, por vezes tão mal aproveitado ou ignorado que muita coisa boa deixou de acontecer. Os dias amanhecem e anoitecem preenchidos da mesma rotina. O nascer do sol, o sorriso de uma criança, o canto do rouxinol, nem no desabrochar de uma rosa não há mais nenhum encantamento... Admirar a cor dos olhos, a expressão de ternura e amor no rosto da pessoa amada... isso também passa despercebido. Frases "célebres" como "Eu te amo"... muitas vezes são ditas ou ouvidas aleatoriamente. Mentir, trair, enganar, falsificar, falsear, difamar, roubar, passar os outros para trás, prejulgar, condenar sem conhecer e pior, sem chance de defesa tornou-se "comum", infelizmente. Ninguém pensa no bem do próximo nem na felicidade do/a outro/a. Já não há mais espanto, surpresa nem indignação por parte de muitos, mediante esse tipo de situação, de coisas pequenas nem dos grandes "escândalos". Tudo tornou-se tão banal, "normal", sem sal. A vida prossegue seu "rito sem ritmo", diria mais ou menos isso, nosso amigo/irmão Pe. Fábio de Melo. Se já não há ritmo tão pouco  haverá rimas. E não havendo rimas, quem sabe, nem há, pelo menos versos "desritmados"... Sem versos ritmados ou não, não há poesia... Viver assim não é viver, é sobreviver e até, em muitos casos, vegetar simplesmente.
De tanto ver e sentir o sofrimento alheio, feridas rasgaram-lhe o peito, a alma e todo seu ser.  O coração já não pulsa em seu ritmo normal. Rins, fígado, baço, pulmões, vasos e artérias... tudo está comprometido. A massa encefálica (ultimamente) mudou de tonalidade, reduziu o volume de maneira drástica e cada dia e a cada hora vem apresentando partes necrosadas. A respiração está cada vez mais difícil. Há momentos em que nem o balão de oxigênio está conseguindo auxiliar como antes. É possível, observando-se minuciosamente, ver suas lágrimas cristalizando-se na fronte, porque, de tanto chorar, o pranto já não consegue mais escorrer pelo rosto. Um guia espiritual já foi convocado para prestar-lhe a última assistência, tendo em vista que não há mais para quem apelar...
Hoje... à meia noite será a despedida final.
Morre 2014 para que 2015 possa nascer e uma nova esperança de vida e amor ressurja em nosso meio!
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Ísis Dumont
Aparecida Ramos(Ísis Dumont)
Enviado por Aparecida Ramos(Ísis Dumont) em 31/12/2014
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